9 filmes para assistir chapado

Fiz essa lista de 9 filmes para assistir chapado, porque durante os quase 3 anos que passei fumando cannabis (diariamente) e… – é, era basicamente isso que eu fazia – tive uma quantidade de tempo absurda para explorar e entender quais filmes que me deixavam completamente imerso (a ponto de eu não saber o que era real e o que era filme).

Com os anos fui percebendo que os filmes que mais me fascinavam envolviam algum tipo de abordagem psicológica e epifania filosófica sobre os mais diversos aspectos da minha experiência enquanto indivíduo aqui.

Então, sem mais, eu lhes apresento os 9 filmes psicologicamente alucinantes e filosoficamente interessantes para assistir chapado e aproveitar melhor a brisa:

1) Waking Life

Waking Life é um “meta-filme” dirigido por Richard Linklater, e digo “meta” porque é sobre sonho lúcido e toma lugar, justamente, nesse espaço onírico. Na verdade, é o próprio processo de começar a se perceber lúcido durante um sonho.

A partir daí se pode traçar desde uma associação literal até uma analogia (metafórica), de sua relação com a vida (depende do quão fundo você está disposto a adentrar esse buraco de coelho).

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O longa se desdobra numa sequência de encontros e diálogos aparentemente desconectados uns dos outros, mas que se integram sob a temática de “acordar” vivenciada pelo personagem principal. Além dos próprios conteúdos das conversas serem por si só extremamente interessantes.

Obs.: o filme tem uma qualidade psicodélica intrínseca a ele, pois as cenas filmadas foram posteriormente sobrepostas com uma camada que imita animações, então você tem a realidade das expressões e, ao mesmo tempo, a distorção e possibilidades de uma experiência adocicada. O que torna o filme particularmente interessante para quem está chapado.

2) Enter the Void

Nada do que eu falar sobre a história vai traduzir a experiência de assistir esse filme. Mas apenas para te dar uma ideia, o longa se desdobra numa temática que tem base na experiência surreal de fumar DMT (dimetiltriptamina) e os conceitos abordados no Livro Tibetano dos Mortos.

Curiosidade: já ouviu falar em DMT? Então, é a famosa molécula chamada dimetiltriptamina que, diga-se de passagem, é o princípio ativo do chá utilizado em alguns rituais xamânicos há milhares de anos (conhecido como Ayahuasca por algumas tribos aqui do Brasil). Entretanto, também é utilizado na sua forma “isolada” sinteticamente, fumando-se os cristais – as experiências são drasticamente diferentes.

Obs¹: a filmagem é com câmera subjetiva (em primeira pessoa), o que intensifica a experiência de estar imerso no filme (principalmente se você estiver chapado).

Obs²: assista os créditos no início, veja o filma de fone, luzes apagadas e sem interrupções externas.

ALERTA: o filme pode ser extremamente perturbador – boa sorte 😉

3) The Wall (Pink Floyd)

Para os amantes de Pink Floyd e todas as pessoas que querem uma primeira imersão nas expressões intensas de suas músicas, The Wall é O Filme.

Um pouco antigo, então releve uma ou outra cena meio “trash”, porém, tem uma potência – que cresce progressivamente durante o álbum – de trazer clareza sobre as várias das barreiras que fomos doutrinados a erigir em volta de nós.

Obs.: admito que é possível que seja mais útil e/ou faça mais sentido para os homens, pois foi escrito por um e é sobre os muros que ele aprende a levantar em volta de si. Mas também creio que pode ser extrapolado para qualquer pessoa que nasceu no século XX.

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4) 2001: uma odisseia no espaço

Talvez o filme mais icônico do Kubrick, 2001 é um longa de contemplação e insights sobre a existência humana e a história da humanidade.

Eu poderia simplesmente colocar: “é Kubrick.”, mas decidi dar uma pequena pincelada pra não deixar você perdido. Enfim, para os amantes de cinema, filmes cults, filosofia e psicologia, esse é um “must see”, você precisa ver esse filme. E acredito que ele pode ser mais digerível para a maior parte das pessoas se estiverem num estado onde a subjetividade está aguçada. Por isso o adicionei a essa lista. No entanto, não limitaria minha recomendação apenas para quem vai assistir “high“.

5) Mr. Nobody (Sr. Ninguém)

Um filme que tem como personagem principal Nemo Nobody, interpretado por Jared Leto. Que no filme é o homem mais velho do mundo (e último mortal), e que está prestes a falecer.

O longa tem uma abordagem interessante, brincando com 3 linhas do tempo, além de ser contada de trás para frente conforme Nemo vai se lembrando. A parte da narrativa se passa no passado (hoje em dia), enquanto a entrevista, situação em que conta a sua história, no presente (num cenário futurístico).

Um filme leve que aborda conceitos interessantes de forma simples.

6) The Fountain (Fonte da Vida)

Fonte da vida é mais um filme que mexe com a linha do tempo, dessa vez sendo o personagem principal interpretado pelo Hugh Jackman que contracena com a atriz Rachel Weisz.

O longa se desenrola em cima dos conflitos internos que o personagem vivencia, em função dos “erros” cometidos no passado e da morte da esposa. Uma exploração da inevitabilidade da morte e uma tentativa desesperada e inútil de contorná-la. E que muitas se mostra como fuga desse aspecto trágico da vida.

Obs.: assisti a primeira vez chapado e, depois de uns anos, sóbrio. Foi melhor da primeira vez. Talvez por estar sozinho, num outro momento da vida e chapado, rs, então não percebia alguns detalhes bobos dos efeitos especiais não tão atuais.

7) Trainspotting – Sem Limites

Sou só eu ou ficou um clima mais pesado depois desse último? Então, para resolver isso, recomendo essa loucura abrupta e desinibida chamada Trainspotting – que recentemente teve uma parte 2 que admito não ter visto ainda. E que tem como um dos personagens, Ewan McGregor.

Obs.: talvez um dos filmes que irá interessar o tipo mais “junkie” de telespectador, rs.

8) Donnie Darko

Acredito já ser considerado um clássico do cenário mais underground de filmes que borram a linha entre psicológico e ficção. Donnie Darko é um filme mais denso, até perturbador, que se desdobra com as experiências em parte (ou totalmente) “esquizofrênicas” que o personagem principal, interpretado pelo Jake Gyllenhaal, experimenta após (SPOILER) a turbina de um avião cair na sua casa.

Obs.: veja a versão do diretor.

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9) Fight Club (Clube da Luta)

Definitivamente já um clássico, Clube da Luta é a versão cinematográfica do livro escrito por Chuck Palahniuk, e que conta com ambos Brad Pitt (no papel de Tyler Durden), Edward Norton (o narrador) e Helena Bonham Carter, nessa exploração da facilidade com que homens jovens tendem desesperadamente a procurar alguém para seguir, um ideal – normalmente numa tentativa falha de compensar a falta ou insuficiência da figura paterna.

Inegavelmente psicológico, o filme penetra a psiquê masculina e contém vários detalhes interessantes que exigem que você assista e converse sobre e assista de novo para sequer começar a entender.

Obs.: nesse filme, especialmente, deixarei não só o trailer, mas uma das análises mais fascinantes e bem elaboradas que já vi na vida. Feita por um canal chamado Like Stories of Old (LSOO) – que por sinal recomendo tanto quanto os próprios filmes.

TRAILER do filme.

ANÁLISE feita pelo canal Like Stories of Old.

agora parem de enrolar e assistam.

Para reflexões, clique aqui.

Autor: Rafael Jordão.