Antes de começar a falar sobre como a filosofia de Nietzsche pode nos ajudar (e não acabar) com nossa saúde mental, é importante deixar claro que a intenção deste artigo não é trazer nenhuma fórmula mágica de interpretação da filosofia nietzschiana.

E sim, se você não estudar cuidadosamente o pensamento de Nietzsche, você pode acabar com tua saúde mental. Se você não souber interpretar suas crítticas ou ironias, de fato, sua saúde mental “vai para o saco.”

Se você levar tudo o que ele fala ao pé da letra, certamente vai ficar louco(a) como por exemplo, quando ele critica a mulher.

Já foi comprovado por vários acadêmicos, que a crítica de Nietzsche em relação a mulher não está ligada a um machismo, mas a mulher como um tipo de fraco, assim como o cristão. A crítica faz relação com a uma figura de ideal, e não que a mulher seja em si fraca, pequena, inferior ou não digna de respeito.

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Nietzsche foi um homem que convivieu com mulheres a vida inteira, inclusive, sua melhor amiga que o acompanhou até a morte (Meta Von Salis) na Suiça era uma feminista bastante importante.

É preciso analisar com cuidado todos os aforimos que Nietzsche escreveu que nos parece um machismo escroto velado. Assim como o seu maior aforismo: “Deus está morto”. Filosofia exige cuidado, reflexão, não podemos interpretar sem análises atenciosas.

O mesmo se aplica a crítica feroz de Nietzsche ao cristinianismo, isto é, ao sistema cristão.

Mas como Nietzsche pode nos ajudar contra ansiedade?

Entendo que a crise de ansiedade é uma doença, não apenas uma questão de frescura.

Os sintomas podem afetar pessoas de diferentes idades, contudo, as pesquisas mostram que em geral, as mulheres são mais vulneráveis. Se você sofre de dores de cabeça, pressão alta, perturbação do sono, irritabilidade e constante agitação, sem nenhum sinal de doença física, é melhor ficar atento e consultar um médico.

Sintomas e tratamento

Os problemas podem parecer pequenos para outras pessoas, mas não para quem sofre do transtorno. A crise de ansiedade, por impactar a esfera emocional, pode ser muito difícil de ser controlado sem ajuda de um profissional.

Mas, quero falar aqui de como a filosofia de Nietzsche pode nos ajudar contra este terrível sintoma, na esfera psicológica. Repetindo: não é uma fórmula, encare mais esse artigo com uma velha dica do nosso querido bigodudo.

O que a Filosofia de Nietzsche tem para falar sobre ansiedade?

Muita coisa, principalmente para você viver no presente, não sofrer com anseios do futuro, não se apegar com aquilo que não aconteceu, não criar perspectiva com eventos ou pessoas. A vida é movimento, dinamismo, ação, não há nada fixo. Vejamos o que ele diz:

Há tantas coisas horríveis no homem!… Já por muito tempo a terra tem sido um asilo de dementes…” – Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda dissertação, §23

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Não criar expectativas em ninguém, entender que as pessoas têm suas debilidades, problemas e que ninguém é perfeito, sobretudo, que nós vivemos em um mundo repleto de seres humanos involuídos, não livres, alienados pelo espírito da época, sedentos pelo tirano.

Portanto, esta é uma reflexão que podemos fazer neste simples (ao mesmo tempo profundo) aforismo. Tão poderoso quanto uma consulta de 1 hora com um psicólogo falando sobre o seu sofrimento com a humanidade e suas lamentáveis escolhas.

Eliminar ou pelos tentar compreender que o “ideal” é uma armadilha que pode nos colocar presos a crises de ansiedade. Ansiedade em querer que o outro mude para te agradar.

Tudo isso é sumamente interessante, mas também de uma negra, sombria, enervante tristeza, de modo que devemos nos proibir severamente de olhar por longo tempo esses abismos. Aqui há doença, sem qualquer dúvida, a mais terrível doença que jamais devastou o homem” – Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda dissertação, §22

Neste aforismo, Nietzsche está falando do próprio homem que fica se debatendo consigo mesmo, isto é, com seus instintos, com suas fraquezas e forças.

Desconstruído ideais, anseios e incertezas

Em A Genealogia da Mora, Nietzsche desnuda a doença do homem em sua própria maneira de valorar, nos modos de vida que se impuseram como os mais nobres. E Nietzsche nos ensina mais do que isso:

Não se apegar com o passado, não sofrer com anseios do futuro, somente o agora, Amor Fati, seja esse o teu proceder! Sobretudo, compreender tua pequenez neste complexo e maravilhoso universo, aceitando que você é um ser que está nesta vida para aprender, e que mesmo a vida não fazendo muito sentido, isso é muito bom, pois assim você se torna protagonista da tua própria vida. Está nas tuas mãos as ferramentas para construir a ponte do teu sucesso, seja ele material, ou sucesso emocional.

Nas palavras originais de Nietzsche:

 – Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas. Amor-fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!” Gaia A Ciência 276.

Quando você compreende que sofrer com aquilo que está fora do seu controle (referência teórica aqui do estoicismo, fica dica para você pesquisar) é a coisa mais estupida, você começa a tirar um fardo grande de suas coisas que podem provocar crises de ansiedade porque coisas que não aconteceram.

Além disso, com o seu conceito de Amor Fati, Nietzsche nos dá doses cavalares de como não sofrer com situações que fogem do nosso domínio. Nos ensina também a olharemos para aquilo que está sob nosso controle:

Mas o que?  Nossas escolhas, nossas atitudes, por isso a solidão, a reclusão, pode sim, ser não um caminho de isolamento e sofrimento, mas uma oportunidade aprendizado com nossas fraquezas.

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Enfim, para este artigo não ficar tão longo, quero encerrar com algumas doses de reflexão da filosofia de Nietzsche que pode nos ajudar contra ansiedade:

‘Querer’ algo, ‘empenhar-se’ por algo, ter em vista um ‘fim’, um ‘desejo’ – nada disso conheço por experiência própria. Ainda neste momento olho para o meu futuro – um vasto futuro – como para um mar liso: nenhum anseio encrespa. Não quero em absoluto que algo se torne diferente do que é; eu mesmo não quero tornar-me diferente…“

– Nietzsche, Ecce Homo, por que sou tão inteligente.

“As verdades não são encontradas nas certezas absolutas. As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.

Por fim, A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo.”

Por: Wanderson Dutch