Em 2014 eu comecei essa jornada tortuosa e fascinante de fazer filosofia (academicamente). Hoje, quase 6 anos depois, percebo que se eu soubesse de começo algumas coisas simples, isso me facilitaria absurdamente.

1° – Ler, ler e ler

Prestar atenção às aulas é super importante, mas não substitui a necessidade de botar a cara nos livros e ler. Porque não importa o quão boa seja a explanação dos professores, a complexidade de uma obra (como a do Nietzsche, por exemplo) nunca caberá em 4 horas semanais, entre feriados e desventuras, durante alguns meses. Então, não abra mão disso. O que me leva para o próximo tópico.

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2° – Não basta fazer a faculdade

Se o que você quer é realmente estudar filosofia, não basta fazer a faculdade – você tem que ir além disso. Esse segundo ponto inclui o primeiro, mas como a leitura é tão crucial, resolvi frisá-la num tópico a parte. Tendo esclarecido isso, reforço: leia os livros, tenha as conversas, procure vídeos, palestras, podcasts, tudo que você puder para te imergir na profundidade que você precisa ter pra começar a entender o que realmente está acontecendo ali (na sala de aula). Que é… você está aprendendo a olhar o mundo através dos olhos de outra pessoa, daquele(a) filósofo(a).

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3° – Não lute contra o livro

Esse terceiro ponto é especialmente interessante pra mim, porque tive esse insight enquanto lia o “Totem e Tabu”, do Freud e percebi, depois de um tempo, que estava “lutando com o livro”.

Cada frase que parecia um pouco menos coerente (para minha cabeça da época), era mais que razão suficiente para uma martelada; eu criticava em pensamento, falava sozinho, escrevia na borda do livro (como se alguém fosse ler). Até que chegava na próxima página e tudo aquilo caia por terra, pois minha dúvida (lê-se: pressuposição) era elucidada de uma forma consideravelmente mais lúcida que a crítica anteriormente arremessada. Então eu voltava e apagava minha precipitada manifestação através dos rabiscos.

Depois disso acontecer algumas vezes, tomei consciência e proferi essa máxima: não lute contra o livro! E é isso que quero deixar aqui, que nesse processo de fazer filosofia, você não tem que concordar ou gostar de tudo. O que você precisa é entender como e por que aquele indivíduo chegou àquela conclusão, reflexão, perspectiva. Mas isso exige deixar de lado as preconcepções, essa tendência de “levarmos para o pessoal”.

O que eu notei conforme incorporava essa ideia, era que que eu nem necessariamente discordava, ou não tanto quanto eu pensava, uma vez que eu me dava o trabalho de realmente ler o que estava escrito ali. E que, independentemente de gostar ou não, eu saía daquela experiência com uma camada a mais de profundidade, que serviria até para que uma crítica realmente válida pudesse ser elaborada. Lembre-se: discordar não significa deixar de aprender.

4° – Pera, eu tô fazendo filosofia ou história da filosofia?

Esse ponto pode te pegar desprevenido – pelo menos foi o que aconteceu comigo. Durante um tempo desnecessariamente extenso me senti frustrado porque contrastava a ideia romantizada de “fazer filosofia”, com a realidade cotidiana a qual se resume grande parte da faculdade: “estudar quem fez filosofia”. Eu não conseguia conciliar essa abordagem sistemática da academia com a minha vontade transbordante de incorporar e escrever e pensar e questionar. E, eventualmente, isso me afastou da faculdade – quase larguei de vez umas duas ou três vezes – mas hoje me sinto maduro o suficiente para lidar com isso. Pois reconheço o lugar e o valor de cada um desses processos. Então, só queria deixar esse alerta: os desafios são reais, mas o caminho definitivamente vale o esforço que exige.

Autor: Rafael Jordão.

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