Será que o amor romântico é suficiente para sustentar conexões íntimas? Como escapar dessa cilada de querer amar alguém e ser correspondido com esse sentimento?

Desde a infância, lemos histórias e vimos filmes que falavam do amor verdadeiro entre as pessoas, um preparativo para o amor romântico que na verdade não passa de um tipo de droga afetiva, tal como tantas outras…

Existe todo um comportamento aditivo, de apego, de necessidade afeto correspondido, e quando isso se torna tóxico e deixa de existir a coisa fica bem pior, você sente um tipo de efeito da ressaca, da dependência emocional…
Não amamos por amar, mas amamos pelo que podemos receber, obter, pelo vazio que pode preencher, tapar, esconder…

Publicidade - OTZAds

Já dizia Nietzsche: “amamos o desejo, não o desejado, ninguém ama ninguém.”

Só que, à medida que o mundo evolui com maior individualismo e redefinindo comunidades, nós, as pessoas, somos confrontados com uma realidade diferente – que o amor talvez venha do significado que criamos em nossas vidas e que o significado pode ser criado de várias maneiras diferentes.

Como definir o que é amor romântico?

Se você percorrer as páginas do dicionário provavelmente descobrirá a definição de amor como “um intenso sentimento de profundo afeto”. Embora isso geralmente seja verdade, colocar tudo na caixa do “amor romântico” sem olhar para nuances emocionais e outros laços que não são românticos, está se fechando e limitando a maneira como realmente nos sentimos.

E foi exatamente isso que a “moralina” do cristianismo fez no mundo ocidental: amor romântico e verdadeiro é o entre um homem e uma mulher, o que se segue além desse padrão, é coisa do diabo, anormalidade, etc…

A sociedade como um todo foi (e vem sendo educada) por falsificações psicológicas, por seus erros, por sua religiosidade cega e excludente. Ela perpetuou os conceitos de relacionamentos que não significam nada.

Publicidade - OTZAds

Mesmo que o mundo de hoje aceite mais tipos diferentes de arranjos de vida, seja entre amantes ou colegas de quarto, o que permanece como subtexto é a busca incessante por amor romântico como o ideal a ser conquistado.

A estupida ideia de metade da laranja, e do felizes para sempre, ainda permanece no inconsciente coletivo.

Mas existe uma maneira de sair da ilusão do amor romântico?

A maneira mais correta de não cair nesta armadilha é fugir de qualquer tipo de idealismo. Não que seja errado você se relacionar com alguém e querer construir algo com esta pessoa. Este não é exatamente o problema.

O “problema” é você construir a sua vida na busca deste ideal, que talvez seja não seja ideal para você. A solidão nos ensina muitas coisas, principalmente a não se submeter com qualquer companhia.

Você precisa buscar sua própria satisfação antes de querer correr atrás de completude. Você é um ser completo! Não pense que o outro irá te completar, o outro apenas irá ser sua companhia temporária. Isso mesmo, temporária.

Nesta vida, tudo é passageiro, é óbvio, mas existe ainda na mente de muitas pessoas a ideia que a relação deva durar até a velhice.

Nem sempre, deixe as coisas fluírem naturalmente, se você for envelhecer com alguém especial isso será uma consequência dos eventos naturais que irão acontecer em sua vida, não por um desejo seu de que isso aconteça.

Publicidade - OTZAds

Um último conselho: se você se apaixonou por alguém e não foi correspondido, relaxe, foque nos erros e defeitos desta pessoa e não se apegue a este sentimento.

Sobretudo, ame-se, antes de amar alguém.

Wanderson Dutch.