Selecionamos sete filmes excelentes que nos dão lições preciosas sobre como devemos, ou melhor dizendo, como podemos lidar com esse sentimento fino chamado solidão. Principalmente neste período de quarentena que todos nós estamos vivenciando com o Covid-19.

Sabemos que a solidão muitas vezes não é tão poética como nós idealizamos, muitas vezes trata-se de um sentimento carregado de profunda sensação de vazio e tédio, principalmente nesse período de isolamento obrigatório que o mundo inteiro está sendo obrigado a enfrentar.,

Às vezes, esse sentimento pode se manifestar de diferentes maneiras de acordo com a subjetividade de cada um. Existem pessoas que são mais suscetíveis a essa sensação e outras que conseguem manter-se distante delas, mas o fato é que todo mundo já passou por momentos de solidão e tristeza alguma vez na vida.

Portanto, assim como na vida, esses sentimentos são um tema recorrente no universo cinematográfico e já foram a peça central para o sucesso de muitas obras, reunimos 7 excelentes filmes que abordam esse sentimento com histórias interessantes. Aproveitem, e no final desse artigo, deixem também as suas sugestões.

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O Operário (2004)

Resumo: Trevor Reznick (Christian Bale) é um homem extremamente magro que trabalha operando máquinas de uma fábrica e não dorme a mais de um ano. Sua vida solitária se resume em encontros casuais com uma garota de programa e visitas à lanchonete de um aeroporto, onde conversa com uma garçonete do local.

Segundo informações  doo roteirista Scott Kosar, a concepção da história teve influência direta das obras de Dostoiévski e Kafa, dois gênios da literatura cujo trabalho explora as misérias humanas e seus absurdos. Partindo desse pressuposto, fica fácil de entender a razão de O Operário ser um filme tão obscuro, bem como a natureza sombria e melancólica de todos os personagens envolvidos. Através de uma narrativa não linear, que mistura sonho com realidade, o filme traz um protagonista totalmente desconectado de sua própria realidade, perdido entre devaneios que o fazem questionar sua sanidade a todo o tempo.

Ela (2013)

 

JOAQUIN PHOENIX (vencedor do Oscar de 2020 com a brilhante atuação em Joker) nos dá aqui mais uma excelente atuação.

Este longa trata a solidão em meio à cidade grande, mas dessa vez a trama se desenvolve a partir de dois personagens ainda menos convencionais. Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário que adquire um novo sistema operacional para seu computador. Porém, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, capaz de simular sentimentos e emoções.

A temática do filme vai muito além dos avanços tecnológicos presenciados pela sociedade pós-moderna; ela trata sobre a fragilidade dos relacionamentos e como somos condicionados a buscar qualquer demonstração de afeto daqueles que nos cercam para preencher um sentimento incessante de solidão.

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A ambientação com traços futurísticos traça um paralelo com nossa realidade, já que o roteiro nunca deixa claro em que época a história se passa, o que confere à narrativa um ar de mistério acompanhado de um certo estranhamento nostálgico. Através dessa relação nada convencional entre homem e máquina, o filme discute sobre o rumo que as relações interpessoais têm tomado conforme a tecnologia avança e como isso pode ser um fator agravante à solidão.

Eu, Daniel Blake (2016)

Muitas vezes a vida é definida apenas com o processo de: Nascer, trabalhar e morrer. Um ciclo que muitas vezes fica impossível fugir. Em Eu, Daniel Blake um homem doente tem sua aposentadoria praticamente negada devido à omissão do Estado em oferecer qualquer tipo de assistência. Ele é forçado a trabalhar mesmo quando sua saúde não permite, algo completamente desumano que o leva rapidamente à completa exaustão física e emocional.

O mais triste de tudo é que a história de Daniel Blake é vivida diariamente por milhares de pessoas ao redor do mundo. E provavelmente será a nossa também. Ser tratado como uma pessoa e não um número deveria ser um direito universal pelo qual ninguém precisa lutar, mas infelizmente esse não é o caso. Um olhar realista sobre a vida, Eu, Daniel Blake nos faz pensar sobre a insignificância do indivíduo perante todo o sistema.

21 Gramas (2004)

Simplesmente Pesado! No exato momento em que uma pessoa morre, seu corpo fica 21 gramas mais leve. A interpretação para esse fato curioso que dá nome ao filme de Alejandro González Iñárritu cabe ao espectador. Segundo filme da Trilogia da Morte, 21 Gramas acompanha a história de três pessoas que têm seus destinos cruzados devido a um acidente.

Todo os personagens estão à beira do abismo, eles se encontram em um estado emocional delicado que pode destruir sua sanidade a qualquer momento.

No entanto, a cronologia não-linear explora o passado daquelas pessoas para buscar pistas que possam justificar o presente devastador em que elas estão enfrentando. Literalmente um soco no estômago, 21 Gramas apresenta uma visão trágica e melancólica sobre pessoas que parecem ter vindo à Terra sem um propósito claro, senão o sofrimento.

Amor (2012)

Este longa foi Dirigido e escrito por Michael Haneke, Amor apresenta uma visão extremamente pessimista sobre o conceito de vida e morte. Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) são um casal de aposentados apaixonados por música. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. Georges assume a responsabilidade de cuidar da mulher que ama, já que ela perdeu completamente sua autonomia, assim como o desejo de viver.

Mesmo com as visitas esporádicas de sua filha e de outras pessoas que se importam com eles, há uma atmosfera clara de profunda solidão envolvendo o filme. É como se Anne e Georges fossem as duas últimas pessoas na Terra, embarcando em uma última jornada que faz parte desse estágio da vida.

Mas afinal, todo mundo envelhece e a morte é uma certeza. Os últimos anos da vida podem ser felizes, mas na maioria dos casos, são tristes e desesperadores. Ao final do filme, resta apenas um sentimento de vazio emocional e a impressão de que ver a morte se aproximando lentamente deve ser algo horrível.

Primavera, Verão, Outono, Inverno… E Primavera (2003)

Este filme é considerado o melhor trabalho na filmografia da diretora e roteirista sul-coreana Kim Ki-duk, Primavera, Verão, Outono, Inverno … e Primavera é uma história que narra a vida de um monge budista ao passar pelos diferentes estágios de vida.

Além disso, o filme pode ser considerado uma metáfora da continuidade perpétua e da natureza cíclica da vida humana. Ao longo do caminho, também explora temáticas relacionadas ao amor, sacrifício, devoção, isolamento e fidelidade. Conhecido por apresentar poucos diálogos, este é um filme profundamente contemplativo que nos leva a uma viagem serena pontuada por diversas reflexões e questionamentos sobre a vida e a natureza humana.

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 A Árvore da Vida (2011)

Definido como um dos dez maiores filmes de todos os tempos pelo renomado crítico de cinema Roger Ebert, A Árvore da Vida, de Terrence Malick, tenta compreender o significado e o propósito da vida de maneira única e eficaz.

Pontuado por cenas de memórias vívidas da infância e a origem da vida na Terra, o filme tem o potencial para mudar a maneira como uma pessoa entende sua vida. Logo em sua data de lançamento, A Árvore da Vida imediatamente dividiu os críticos em dois grupos com opiniões divergentes. Um grupo elogiou o filme por sua riqueza temática e o outro o desprezou por considerá-lo pretensioso demais. Mesmo assim, é unanimidade que ele traz uma reflexão importante sobre o sentido da vida.

Menções Honrosas: O Show de Truman (1998), Fonte da Vida (2006), The Pervert’s Guide to Cinema (2006), O Feitiço do Tempo (1993), Ghost in the Shell (1995), Sr. Ninguém (2009), Solaris (1972), Blade Runner (1982), Laranja Mecânica (1971), Dente Canino (2009), 12 Homens e uma Sentença (1957). 

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Fonte: Telecine Play